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quarta-feira, 5 de março de 2008

MOISÉS BÊBADO?

Teoria de que Moisés
tomou “chá do Daime”
cria polêmica em Israel
O especialista em psicologia cognitiva Benny Shanon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirma que Moisés, considerado o principal profeta da religião judaica, pode ter ingerido a substância “ayhuasca”, conhecida no Brasil como “chá do Daime”. A afirmação foi publicada nesta semana em um artigo na revista de filosofia “Time and Mind” e causou polêmica em Israel. A idéia de que Moisés poderia estar sob a influência de "drogas" provocou a indignação de líderes religiosos em Israel e, segundo os críticos, a teoria de Shanon "é uma ofensa ao maior profeta do povo judeu".
O rabino Yuval Sherlo afirmou à Radio Pública de Israel que "a teoria é absurda e nem merece uma resposta séria". De acordo com ele, a publicação da teoria de Shanon "põe em dúvida a seriedade tanto da ciência como da mídia".
Uma das obras de Benny Shanon, o livro Antipodes of the Mind, que analisa a relação entre a planta ayhuasca e a criação das religiões, foi publicado em 2003 pela Oxford University Press, uma das editoras acadêmicas mais renomadas do mundo. De acordo com o pesquisador, a criação dos Dez Mandamentos poderia ser conseqüência de uma experiência com substâncias psicotrópicas, que alteram o estado cognitivo do indivíduo, e se encontram em plantas existentes inclusive no deserto do Sinai, onde Moisés teria recebido as “Tábuas da Lei”, consideradas a base da civilização judaico-cristã.
Ele explica a origem de sua teoria: "tudo começou quando estive no Brasil a convite da Unicamp para dar uma palestra sobre linguagem e pensamento. Depois, viajei pelo Brasil por dois meses e experimentei pela primeira vez o chá do Daime em Rio Branco, no Acre. Também participei de rituais religiosos e espirituais do Santo Daime, apesar de que não sou adepto de nenhuma religião. A experiência mudou a minha visão do mundo. Comecei, então, a pesquisar os efeitos dessa planta sob o aspecto da minha área, a psicologia cognitiva. Muitas pesquisas já foram feitas sobre os efeitos da planta, mas principalmente na área da antropologia, e não da psicologia. Os antropólogos geralmente escrevem apenas por meio da observação, mas sem experimentar, eles próprios, a substância. Acho que é como escrever um livro sobre música sem ouvir música”, afirma Shanon, revelando que já ingeriu o “chá do Daime” mais de 100 vezes.

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